Biblioteca Vinicius de Moraes

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– Vou mandar o Visconde fabricar o pó de pirlimpimpim necessário. (…)

Pedrinho explicou ao Visconde os seus planos de nova viagem pelos tem-

pos heróicos da Grécia Antiga.

– Vamos nós três, eu, você e Emília.

– Emília já sabe do projeto?

– Já, e está atropelando tia Nastácia para que lhe arrume uma canastrinha

nova. Diz que desta vez vai completar o seu museu com mil coisas gregas.

 

(Os doze trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato)

 

 

 

Liberdade para viajar

 

Os alunos da Escola Classe Estância de Planaltina nem precisam tomar o famoso pó de pirlimpimpim para viajar pela Grécia Antiga com os personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Todos os dias eles têm um ponto de embarque certo na Biblioteca Vinicius de Moraes, onde escolhem os roteiros e saem pelo Brasil e mundo afora.

 

Muitos já chegam lá com o destino definido, como o pequeno campeão de leitura da escola, Rodrigo Lima de Oliveira. “Acho bem interessantes os contos de Monteiro Lobato sobre a Grécia, porque explicam o que é mitologia.” O menino pega, em média, três títulos por mês e já levou Os doze trabalhos de Hércules para casa duas vezes.

 

Com apenas nove anos, Rodrigo já revela uma preocupação de adulto: não deixar as perguntas que lhe fazem sem resposta. “Alguma pessoa um dia vai me perguntar quem é o Minotauro e eu tenho que saber responder. Por isso é muito importante ler, sim”, explica. Ele se orgulha por se destacar na matéria preferida, o português.

 

Giulia Ferreira, do terceiro ano, acostumou-se a levar livros para casa e a pesquisar as palavras desconhecidas. O sorriso da menina se abre quando ela aponta as histórias preferidas. “São as da Emília, porque ela é uma boneca de pano que engoliu uma pílula e adora falar”, diz Giulia, que lê com desenvoltura e uma entonação surpreendente.

 

Ela explica que lê devagar, “para aprender”, e que faz anotações mesmo se a professora não pedir. Giulia não conta só com o acervo da biblioteca. “Meu pai compra pra mim. Peço sempre livros de contos e não gosto dos pequenininhos, porque termino muito rápido.”

 

O suporte da família para ampliar o universo de leitura é uma das exceções entre os alunos da escola, localizada no bairro Condomínio Estância Planaltina, que cresceu desordenadamente, sem planejamento, nos anos 1980. As primeiras salas de aula começaram a funcionar em 1986, improvisadas em um galpão. A escola classe só foi inaugurada em 1993.

 

A maioria das famílias é formada por mãe e filhos, com renda em torno de um salário mínimo. A escola é o espaço que precisa se impor para agregar as crianças. A expectativa das famílias é de que a escola passe “bons ensinamentos e educação para os filhos” e que contribua na busca de soluções para os problemas da comunidade.

 

 

Rumo ao futuro

 

“E o futuro é uma astronave/Que tentamos pilotar/Não tem tempo nem piedade/Nem tem hora de chegar”, canta o poeta carioca Vinicius de Moraes, que dá nome à 101ª unidade do projeto Bibliotecas do Saber.

 

Mas naquele espaço o futuro tem hora certa, sim. Ele chega no momento em que o aluno é acolhido e já começa a ser capacitado para, ao terminar o quinto ano, enfrentar o momento de seguir para outra escola.

 

A biblioteca se tornou ferramenta essencial nesse processo. Para o diretor Flávio Lúcio da Rocha, ela “trouxe um incentivo muito forte; o professor se sente valorizado, o aluno e a comunidade também”. Com um acervo muito amplo, o espaço também é muito bom para os adultos e atraiu os concurseiros do bairro.

 

Lúcio cedeu salas para que o projeto Amigos do Concurso, bancado por professores voluntários, pudesse oferecer aulas gratuitas, à noite, aos moradores que não tinham condições de pagar um cursinho.

 

A biblioteca Vinicius de Moraes virou referência para os concurseiros, um porto seguro para quem buscava silêncio para se concentrar e títulos para pesquisar. A parceria foi tão bem-sucedida que em três anos o número de alunos disparou de oito para 120.

 

Com a demanda cada vez maior, o cursinho precisou buscar outro espaço, porque as salas da escola não comportavam tanta gente. Mas, nos três anos de intensa troca, a biblioteca levou auto-estima para o bairro.

 

“Um dos alunos foi aprovado em um concurso do Corpo de Bombeiros e criou-se uma cultura de que o espaço era importante para a comunidade”, revela o diretor. No caminho de mão dupla do envolvimento com os moradores, a escola também saiu ganhando.

 

 

 

Planaltina Planaltina Condomínio Estância - Planaltina, Brasília - DF, 73380-050