Biblioteca Mundo da Imaginação (1)

Escola Classe Frigorífico Industrial
Zona rural de Planaltina

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Ilha onde tudo se esclarece.

Aqui se pode pisar no sólido solo das provas.

Não há estradas senão as de chegada.

()

Cresce aqui a árvore da Suposição Justa

de galhos desenredados desde antanho.

A árvore do Entendimento, fascinantemente simples

junto à fonte que se chama Ah, Então É Isso.

 

(Trecho de Utopia, da escritora polonesa Wislawa Szymborska)

 

 

 

Histórias sem fim

 

Era uma vez um professor de matemática que adorava contar histórias. Ele vivia bem longe do Brasil, na Inglaterra, e se chamava Charles Dodgson. Quando ele nasceu, em 1832, os livros eram lidos à luz de lamparinas de querosene.

 

Um belo dia, o professor precisou viajar. Pegou um barco, que parecia não chegar nunca. Ele já estava começando a ficar entediado quando conheceu uma menina de sete anos de idade chamada Alice Liddell. Aconteceu então uma amizade à primeira vista, que transformou a viagem em um divertido passeio para os dois.

 

Charles passava o tempo contando histórias engraçadas para a menina. Inventava tudo na hora. Alice se encantava com as novidades que saíam da imaginação do professor, muito diferentes dos contos que os adultos liam para os pequenos.

 

Na volta para casa, o professor resolveu escrever uma de suas histórias para presentear a pequena companheira de viagem. E ali nasceu, para sempre, Alice no País das Maravilhas.

 

“É o meu livro preferido”, revela a pequena Eduarda Oliveira em uma das mesas da Biblioteca Mundo da Imaginação, na Escola Classe Frigorífico Industrial, na área rural de Planaltina.

 

Com apenas sete anos, Eduarda lê com uma desenvoltura e uma pontuação impressionantes. “Também gosto muito de Rapunzel”, diz a menina, que toda semana escolhe cuidadosamente os livros que leva para ler em casa.

 

A senha para garantir o livro escolhido é a campainha da hora do recreio. “As crianças entram e pedem para deixá-las escolher logo, antes que outras cheguem na frente”, entrega a professora Maria das Graças Goulart Neves Barreto, responsável pela acolhedora sala inaugurada em julho de 2012 pelo projeto Bibliotecas do Saber.

 

“Os professores preparam os planos de atividades que vão desenvolver com os alunos na biblioteca e reservamos os dias para a frequência de cada turma. Mesmo assim, eles sempre vêm espontaneamente nos intervalos das aulas.”

 

Na roda dos alunos, o critério para decidir o que levar é bastante variado. “Gosto de escolher pelas primeiras frases do livro. Se acho interessante, pego para ler”, diz Eduardo Moreira Pinheiro, dez anos.

 

Para a pequena Sarah Helen Borges Vaz, sete anos, o critério é a beleza gráfica. A menina calada de sorriso tímido sonha um futuro de artista. “De livros”, completa. “Quero fazer livros bem bonitos.”

 

Marina Rodrigues de Oliveira, dez anos, é atraída pelo título e pelo formato. “Quando o título é interessante, pego.” Uma “falante” assumida, Marina também se considera “boa para ler”: “Gosto mesmo é de pegar os livros grandes.”

 

“O acervo prioriza os interesses da faixa etária dos alunos do primeiro ao quinto ano e a preferência deles é mesmo pelos contos de fadas”, confirma o diretor Jefferson Soares da Rocha.

 

“Os pequenos chegam com muita sede de leitura, mas os maiores são mais resistentes”, compara. O problema é atribuído à falta de exemplo e de estímulo em casa, que a escola tenta reverter com projetos especiais de leitura focados na motivação da família.

 

“A instalação da nossa biblioteca foi um grande divisor de águas. O espaço organizado para a leitura agrega valores importantes, abre caminho para um aprendizado completo”, afirma Jefferson.

 

“Nossas crianças não têm muito acesso a livros. A biblioteca veio a calhar nessa realidade e elas estão tomando gosto. Já tem aluno dizendo que vai ser escritor”, observa a professora Silvana Pinto de Sousa. “A gente percebe como a criatividade deles tem aumentado. É um ganho incomparável.”

 

 

Envolvimento da família

 

As mudanças não passam despercebidas para as crianças. “Antes, eu não lia nada, não me interessava. A minha curiosidade só começou a despertar aqui na biblioteca”, conta Marina. A menina desembaraçada que se diz “falante” reconhece que os livros estão fazendo a diferença. “Eles me ajudaram a ler e a escrever melhor.”

 

Com a ajuda dos seus autores preferidos, o menino Eduardo Moreira Pinheiro aprendeu que uma palavra nunca pode ser deixada para trás. Quando tem dúvida sobre o significado, ele não se aperta: “Pergunto sempre.” O sufoco é quando ele quer trocar ideias. Em casa, nada feito – ele é o único que gosta de ler.

 

Mas essa falta de diálogo tem tudo para estar com os dias contados. Desde a criação da biblioteca, as famílias são alvo de um projeto feito para envolvê-las no processo de leitura. Cada semana um menino e uma menina escolhem um livro e levam para casa, com uma tarefa especial para os pais: ler para os pequenos.

 

“Depois, o aluno registra a história que ouviu em um caderno usado por toda a turma, em forma de texto ou desenho”, explica a professora Maria das Graças Barreto. “A motivação tem dado resultados animadores. Muitos pais já começaram a pedir aos meninos que peguem livros emprestados na biblioteca para eles.”

 

A escola percebe que o envolvimento da família enriquece com rapidez o aprendizado dos alunos. “Faz toda a diferença no desenvolvimento das crianças. Elas abrem caminho para novos conhecimentos, ganham fluência e vocabulário e reforçam a auto-estima.”

 

É o caso da pequena Eduarda Oliveira Xavier, que lê com uma surpreendente capacidade e segurança para sua idade graças ao estímulo permanente que tem em casa. “Lá, todo mundo sempre gostou de ler”, orgulha-se a menina nascida no Arapoanga, um bairro da periferia de Planaltina, sem acesso à cultura.

 

Muitos pais reclamam quando a criança chega da escola com a pasta e a tarefa da leitura para eles. Mas os educadores entendem que o processo de transformação de valores é lento e exige cuidados. “Nossa linha mestra é ajustar os conteúdos à realidade vivida pelos alunos”, explica o vice-diretor Denilson Dutra Santanna.

 

“Percebemos, no dia a dia, a diferença na evolução do aprendizado dos alunos. Uma das principais é que a leitura estimula novas descobertas e aperfeiçoa também a escrita”, comemora o vice-diretor.

 

“As mudanças de atitudes também saltam aos olhos. A forma como estão aprendendo a cuidar da biblioteca e a desenvolver o respeito eles vão levar para toda a vida. Estão criando valores, noções de solidariedade com as pessoas, com os colegas de escola.”

 

Zona rural de Planaltina Escola Classe Frigorífico Industrial - SEDF DF-230 - Planaltina, Brasília - DF