Biblioteca Mundo da Imaginação (2)

Jardim de Infância Lucio Costa
Guará

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Fazia pouco tempo que o mundo era mundo e que as garras da onça

ainda não haviam crescido e já reinava a insatisfação. E isto porque a

noite nunca chegava – ela, que iria permitir que pessoas e animais

repousassem um pouco. O sol brilhava sem parar nos céus e nenhum

daqueles infelizes conseguia sequer tirar uma pequena soneca!

 

(As serpentes que roubaram a noite e outros mitos, Daniel Munduruku)

 

 

 

Novos horizontes

 

No livro em que conta as histórias de seu povo – cerca de sete mil índios que no Pará – Daniel Munduruku lembra que todas elas foram passadas aos mais jovens pelos sábios das aldeias. Não havia relatos escritos.

 

“São essas histórias que ajudam a comunidade a se manter unida e forte contra as pessoas que querem as riquezas dos índios”, diz Daniel. “Elas são sempre recontadas de forma a despertar no povo um amor pela própria história.”

 

Bem distante das terras indígenas, no Jardim de Infância Lucio Costa, no Guará, os pequenos alunos ainda não conhecem o significado das letras, mas já estão aprendendo a se tornar fortes como os índios e a viajar em histórias que os ajudam a compreender a própria existência.

 

Tudo por conta dos livros que a Biblioteca Mundo da Imaginação lhes oferece desde que começou a funcionar, em maio de 2013, depois de uma alegre cerimônia preparada pelas equipes parceiras da escola e do projeto Bibliotecas do Saber.

 

Para Davi Gonçalves de Lima, de cinco anos, a inauguração do novo espaço teve um significado bastante especial. Com traços de espectro autista, mas ainda sem um diagnóstico fechado, ele já se permite sair do isolamento para passear pelas histórias que chamam a atenção nas estantes.

 

“Tudo é mais difícil para ele, mas com a ajuda da escola, dos professores e dos livros ele está conseguindo”, anima-se a mãe, Lanuce Gonçalves de Lima. “A biblioteca tem sido uma forma dele se comunicar, de interagir.”

 

Como acontece entre as crianças munduruku e milhões de outras que habitam o planeta, Davi gosta de livros ilustrados que falam dos animais e mostram meninos como ele. “A gente percebe como desperta o interesse”, diz a mãe. Afinal, como lembra o autor da história da serpente que roubou a noite, “toda criança, de qualquer parte do mundo, é curiosa. Está sempre querendo saber das coisas”.

 

Com a rotina das atividades na biblioteca, as barreiras de Davi são trabalhadas de forma integrada na escola e na família. Toda quinta-feira as crianças pegam um livro na biblioteca e levam para casa. O menino gosta de fazer a tarefa com os pais e de desenhar o que viu e sentiu.

 

“Eu e o Ricardo, meu marido, lemos para ele, vamos mostrando as ilustrações. Depois, ele desenha o que entendeu”, conta Lanuce. O estímulo é reforçado pela irmã, Sofia, de oito anos, que estuda em uma escola classe do Guará e também já é amiguinha da leitura.

 

 

Caminhos abertos

 

A biblioteca chegou como um mundo especial que se abre para a criança, um complemento para os professores enriquecerem o aprendizado. Na avaliação da professora Maria do Socorro Medeiros, a biblioteca como espaço físico faz muita diferença para o desenvolvimento da criança. “Foi um ganho maravilhoso.”

 

O primeiro passo para essa conquista foi dado pela diretora Nadja Andrade de Oliveira. A notícia de que o projeto Bibliotecas do Saber já havia entregue mais de cem unidades em escolas urbanas e rurais, presídios e outras instituições pelo Distrito Federal afora chegou aos ouvidos da educadora.

 

“A gente tinha um pequeno acervo, mas nem tinha onde guardar. Quando vi o projeto, pensei: por que não tentar? Mandamos um email cheio de esperança e pouco tempo depois recebemos aqui a dona Carmen e a dona Iza” (responsáveis pelo projeto).

 

A primeira visita já era para avaliar se o Jardim de Infância teria condições de abrigar e manter o espaço dentro dos padrões técnicos. Isso porque, segundo a bibliotecária Iza Antunes, coordenadora técnica do projeto, é preciso “ter certeza de que haverá o compromisso de cuidar.”

 

Depois que as portas se abriram, os pequenos entraram na rotina de ouvir histórias animadas com fantoches e dos empréstimos de livros. “Vou levar este aqui para casa”, decidiu Vitória da Silva, cinco anos, ao pegar o livro da Branca de Neve, depois de mostrar outro preferido, cheio de bichinhos do mar que se destacavam nas páginas.

 

Com a biblioteca a pleno vapor, a diretora pretende investir em projetos para estender o hábito da leitura aos familiares dos alunos. A experiência bem-sucedida de leitura nas comemorações do Dia da Família mostra que o resgate é possível. “Trabalhamos com eles, para motivar, e percebemos que é possível trazer a família para esse mundo da imaginação”, conta a diretora.

 

Guará EPTG Lúcio Costa QE 1 05 - Guará, Brasília - DF, 70297-400