Biblioteca Maria da Penha

Penitenciária Feminina do Distrito Federal – PFDF

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Mandela procura o positivo, o construtivo. Escolhe passar sobre o

negativo. Faz isso por duas razões: porque instintivamente vê o que

há de bom nas pessoas e porque intelectualmente acredita que ver o

que há de bom nos outros pode realmente torná-los melhor.

 

(Os caminhos de Mandela – lições de vida,

amor e coragem, de Richard Stengel)

 

 

 

Uma porta que nunca fecha

 

A capa do livro Conversas que tive comigo, do líder sul-africano Nelson Mandela, se destaca numa prateleira que fica em frente à porta e chama a atenção de quem entra na biblioteca instalada no início de um amplo pátio interno do Presídio Feminino do Distrito Federal.

 

Os textos escritos na cadeia pelo homem que passou 27 anos de sua vida encarcerado por lutar contra o apartheid na África do Sul e buscar justiça e igualdade social para o seu povo dividem espaço com os mais diversos tipos de publicações, como as obras psicografadas pela escritora espírita Zibia Gasparetto.

 

Com relatos de superação, amor, perdão e outras vivências, eles são os que que mais atrai as internas. “Quando os livros dela chegam, todas querem, é uma disputa”, conta a agente policial de custódia Ivone Tôrres Lima.

 

Desde que entrou na Polícia Civil, em 2004, Ivone acompanha a rotina das mulheres que cumprem pena. “Antes, no horário do pátio, elas ficavam à toa, se machucavam, tinha que levar para o hospital.” Depois da criação da Biblioteca Maria da Penha, em agosto de 2008, já se veem grupos espalhados pelos cantos, lendo, compara a policial. “Houve uma calmaria.”

 

A unidade que homenageia a ativista pela dignidade da mulher foi o primeiro de treze espaços criados pelo projeto Bibliotecas do Saber no sistema prisional de Brasília. A ideia é contribuir, com o acesso à leitura, para o processo de reinserção social e de prevenção da reincidência no crime.

 

Outras sete bibliotecas foram instaladas nos presídios masculinos, mais uma no presídio feminino e quatro em unidades de internação de menores. “A leitura abre os horizontes, contribui para a recuperação”, comemora a delegada da Polícia Civil Deuselita Pereira Martins, desde 2007 no comando do presídio.

 

“A cultura sempre ajuda a vencer as barreiras da reinserção social”, acredita Deuselita. Com as bibliotecas, as iniciativas se multiplicaram, como o concurso de redação com tema “O que mudou na minha vida depois da biblioteca”.

 

“Foi genial a ideia de trazer a biblioteca para o pátio”, escreveu a detenta que ficou em terceiro lugar. “Onde havia vazio, existe agora aventura.” Segunda colocada foi além. “Nós somos o que nós lemos. A biblioteca foi uma das poucas atividades que me fizeram bem aqui na penitenciária”, escreveu.

 

“O livro alimenta a mente daquele que deseja crescer e evoluir, esperança na vida de quem deseja descobrir um modo de mudar e agir”, afirma a autora vencedora. Ela reflete que encontrou na leitura “harmonia para todos os sofrimentos” e uma “porta de oportunidades”, que ela traduziu na palavra saber.

 

A diretora do presídio concorda. “A biblioteca pode ser resumida como uma janela para o mundo. Para quem está preso é uma forma de acesso à liberdade. Temos várias histórias de sucesso aqui”, orgulha-se Deuselita.

 

Responsável por cuidar da biblioteca, Amanda Lobo, 23 anos, faz o controle da entrada e saída de livros e considera o trabalho “uma remissão boa, porque é tranquilo, fico aqui o dia inteiro, leio”. A remissão é um sistema de perdão que abate as horas trabalhadas no tempo a cumprir de pena.

 

Perto de passar para o regime semiaberto, quando poderá sair para trabalhar e voltar para dormir no presídio, a interna Lígia S., 26 anos, também encontrou refúgio e remissão na biblioteca. “Foi bom porque sempre gostei de ler. Aqui o tempo é longo e os livros ajudam a passar.”

 

Mãe de uma menina de sete anos, Lígia sonhava ser juíza no início da adolescência, mas parou de estudar no segundo ano do ensino médio, quando engravidou. Só conseguiu terminar essa etapa no presídio. “Quero ir para a área da saúde. Minha mãe sempre trabalhou em hospital. Tenho meus planos”, conta.

 

A leitura ajuda a manter as ideias nos trilhos. “Mudou a minha maneira de falar, o meu comportamento com as pessoas, me ajuda a pensar. A biblioteca é sabedoria”, resume Lígia.

 

“Passei 29 anos no mundo do crime”, conta Rosilene Aparecida Silva. Fugi de casa aos seis anos com dois irmãos e a gente virou menino de rua. Minha vida tinha um sentido só, sobreviver. Aqui a primeira coisa que me apresentaram foi um livro da Zibia (Gasparetto), aí tomei gosto. Hoje leio uns quatro por semana. Minha visão foi ampliada. Mudei o modo de tratar os outros, de respeitar para ser respeitada. Pretendo modificar a minha vida inteira lá fora.”

 

“A leitura é muito dignificante”, avalia Ernéia Ribeiro. “Um dia o meu neto de treze anos veio me visitar, começou a comentar uns assuntos e eu disse que tinha lido aquilo num livro. Ele ficou muito surpreso e disse: ‘Nossa, vó, você está lendo? Eu fico muito feliz porque você está lendo!’ Eu me senti muito orgulhosa. Apesar dos nossos erros lá fora a gente tem que se atualizar mais e mais. É uma vitória muito grande pra mim.”

 

Granja Luis Fernando Área Especial 1 Núcleo Rural Alagado - Gama, Brasília - DF, 72460-000