Biblioteca Machado de Assis

Escola Parque 303/304 Norte
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Havia uma vez uma pequena expressão chamada Por Favor que morava

na boca de um garotinho. Os Por Favor moram na boca de todo mundo,

ainda que as pessoas se esqueçam com frequência que eles estão ali.

 

Mas para ficarem fortes e felizes, todos os Por Favor devem ser tirados

das bocas de vez em quando, para tomar um pouco de ar. Sabe, eles são

como peixinhos de aquário, que sobem à tona para respirar.

 

(O Livro das Virtudes para Crianças, William J. Bennett)

 

 

 

Valores e virtudes

 

Um belo dia, vários Por Favor, que andavam escondidinhos em muitas bocas, perceberam que era hora de sair. E não é que todos amaram o que viram lá fora? Livros e mais livros, histórias e desenhos, mesinhas acolhedoras, prateleiras que pareciam chamar as pessoas para chegar mais perto.

 

Tudo começou quando um depósito antigo da Escola Parque 303/304 Norte virou uma biblioteca, tão bonita e agradável que as pessoas entravam e não queriam mais ir embora. Quem também se animou a sair foram as palavras amigas dos Por Favor:

 

“Grande!”, “Mágico!”, “Colorida!”, “Tranquilo!”, “Paz!”, “Beleza!”, “Felicidade!”, comemoram os pequenos frequentadores, alunos do primeiro ao quinto ano de sete escolas públicas da Asa Norte.

 

“Legal!”, resume Mateo Azevedo, de onze anos. “A gente tem uma vantagem grande, porque pode querer muito um livro e aqui na biblioteca pode procurar e achar”, explica.

 

Mateo gosta de descobrir novidades nas estantes e se encantou com o clássico Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne, que nasceu em 1828 e inovou a literatura no século 19 com aventuras superinteressantes antevendo o progresso da ciência.

 

O valor da biblioteca que permite aos alunos da Escola Parque embarcar nessas viagens pelo mundo é resumido pelo menino Luiz Fernando Andrade, com segurança e rapidez, na palavra “silêncio”. Certamente (e talvez o pequeno leitor de dez anos de idade ainda nem perceba) porque o espaço organizado com arte e técnica lhe assegure o sossego de que ele precisa enquanto se concentra nos livros de Harry Potter.

 

“A gente entra na história, vive a vida do personagem e isso é muito legal, eu gosto disso. Eu sinto tudo o que o personagem sente, felicidade, medo, ação, terror”, empolga-se Luiz Fernando. “A gente leva isso para a vida. As pessoas que não conseguem ler, eu sinto pena.”

 

Antes de ficar ao alcance das mãos das crianças, as publicações doadas pela população foram cuidadosamente selecionadas e organizadas pelas equipes da escola e do projeto Bibliotecas do Saber, sob a orientação técnica da voluntária Iza Antunes, especialista em biblioteconomia.

 

“A parceria com o projeto foi uma injeção de ânimo”, revela o educador Everaldo Mendonça, 37 anos dedicados ao magistério, dos quais treze na direção da escola, aonde vai de segunda a domingo, “para cuidar” de cada detalhe.

 

Inaugurada em junho de 2013, a biblioteca Machado de Assis é considerada pelo diretor a ferramenta essencial para ampliar o leque de uma educação continuada, da construção do caráter e da cidadania. O espaço virou referência e passou a ser utilizado também para a realização de atividades que enriquecem essa formação e integram escola e comunidade.

 

Aluna do segundo ano na Escola Classe Granja do Torto, Mariá Cardoso Popoc Gollo, de oito anos, começou a ler aos cinco e frequentava a Biblioteca Demonstrativa, na Asa Sul, onde entrava apresentando, orgulhosa, a carteirinha de associada.

 

“Ela lia tudo, livros, gibis e até receitas, que ajudam muito nas aulas de matemática”, conta sua mãe, Sabine. Até que um dia a Demonstrativa fechou e a carteirinha não saiu mais da bolsa. Sem biblioteca na Granja do Torto, a menina encontrou refúgio na Machado de Assis.

 

A criança ganha uma ferramenta permanente quando aprende a manter o hábito de ler, observa Sabine: “É importante para a vida.” A maioria dos cerca de três mil alunos da Escola Parque, no entanto, cruza os portões pela primeira vez sem conhecer esse tipo de cuidado.

 

O perfil da clientela, de acordo com o Projeto Político Pedagógico da escola, é “carente de um modo geral”, mas as dificuldades não arrefecem a disposição da equipe de preparar os alunos “É obrigação da escola dar essa ferramenta”, lembra Everaldo Mendonça.

 

 

Histórias recontadas

 

Desde que abriu as portas, a biblioteca comanda as atividades das professoras de artes visuais, Silmara Rubim, e teatro, Eliane Amorim. “Trabalhamos em conjunto a partir dos livros que as crianças pegam na biblioteca”, diz Eliane.

 

O livro mais votado vira uma fonte de criações nas aulas. Da história lida e recontada nascem o roteiro para uma peça e ganham forma os personagens e os cenários. Tudo é produzido com sucata, pelas crianças, que ainda fazem os vídeos.

 

O retorno é surpreendente. “Percebe-se a evolução do raciocínio, da linguagem e da capacidade de reflexão. Os desafios do tipo ‘como fazer’ estimulam o trabalho em grupo, a solidariedade, o companheirismo e a participação dos pais”, comemora Eliane.

 

As conquistas vêm reforçadas pela inclusão de valores. “Antes, eles brigavam muito. Mas desde que começaram a ler e debater o conteúdo em grupo passaram a se sentir valorizados e adotar atitudes de respeito”, compara Silmara.

 

Um dos segredos de tanto sucesso é o Baú de Valores e Virtudes, um conjunto de ações que abraça toda a escola e se aninha nas famílias sob o olhar dedicado das professoras Caircélia Rinadi Perotto, responsável pela biblioteca, e Maria da Penha Souza de Castro, assistente da direção.

 

A proposta surgiu para desconstruir os atos de vandalismo que antes eram frequentes e criar uma cultura de respeito e de paz. Tudo começa com a introdução de valores, usando o potencial de sedução da leitura.

 

As professoras criaram o projeto Vai valor e volta virtude. “Vai o valor no livro com a gente, para casa, e volta dentro de nós”, resume a aluna Maria Clara Alves Tavares, dez anos.

 

A metodologia é simples. O material, atraente e fácil de fazer: uma sacola artesanal para levar o livro com a folha do retorno, e um grande dado colorido com uma virtude escrita em cada face.

 

“O dado mágico dá a pista de como eles vão viver o valor que está no livro que eles escolheram”, esclarece Maria da Penha. “Esse trabalho ajuda os que ainda não adquiriram o prazer pela leitura.”

 

Caso do menino Vitor Lima, de dez anos, morador de Brazlândia, que assume gostar apenas “assim, mais ou menos”, mas se empolga na hora de ajudar a mostrar como funciona. “A gente joga o dado mágico assim, olha só, e saiu ‘Colocar-se no lugar do outro’ pra mim”.

 

Maria da Penha alinhava: “E deu certo com o livro que você escolheu, Solidariedade. E o que é para fazer agora?”. “Eu levo pra casa e leio.”

 

As crianças têm uma semana de prazo para ler, refletir, vivenciar a experiência do valor e relatar ou desenhar o que aprenderam sobre o valor e a virtude na folha, que é individual.

 

“Peguei o livro Generosidade e quando joguei o dado caiu ‘Amar a todos’. Depois que li em casa, pensei que sempre que a gente tem uma coisa a mais pode doar, compartilhar com outras pessoas. Eu peguei muitas roupas e doei”, conta Maria Clara.

 

Brasília Asa Norte Entrequadra Norte 303/304 - Brasília, DF, 70297-400