Biblioteca Dom Bosco

Centro de Ensino Fundamental Cerâmicas Reunidas Dom Bosco
Zona rural de Planaltina

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Com ideias criativas para estimular a leitura, professores

da área rural desenvolvem não apenas o aprendizado, mas

também a motivação e a auto-estima das crianças

 

 

Educação corajosa

 

Sentados no chão com o material do projeto Bacia da Leitura, os alunos do segundo ano da professora Lourdes Cosmo se concentram. Atentos ao desempenho dos colegas, eles formam o júri que vai eleger os leitores campeões. A importância de decidir quem vai levar as medalhas de ouro, prata e bronze brilha nos olhinhos das crianças enquanto cada candidato lê a sua frase.

 

“Ninguém liberta ninguém. As pessoas se libertam em comunhão.” As palavras do educador Paulo Freire soam na voz da pequena Sofia, que desce, com um sorriso, para dar lugar a Nauã. “Temos que saber o que somos para saber o que seremos”, lê o menino, timidamente. Em seguida sobe Iara, sorrindo: “Estarei preparando a sua chegada, como o jardineiro prepara a rosa que se abrirá na primavera.”

As crianças pedem “Quero ler também!” e aplaudem a cada texto, todos de Paulo Freire, que defendeu a prática de uma educação corajosa, que teria de ser, “acima de tudo, uma tentativa constante de mudança de atitude”.

 

As palmas crescem depois que Mariana, uma aluna com necessidades especiais estimulada pelo processo de acolhimento na turma, lê cuidadosa e corretamente mais um recado de Paulo Freire: “É preciso que a leitura seja um ato de amor.” A professora, então, toma a palavra: “A Mariana é bronze, prata ou ouro?” “Ourooooo”, respondem as crianças, num coro unânime.

 

O “ouro, mesmo” é a avaliação das crianças, diz Lourdes. Toda manhã elas analisam, juntas, quem lê bem, quem melhorou, quem pode aperfeiçoar. A metodologia é facilitada pelo acervo de livros que atrai os pequenos para a Biblioteca Dom Bosco. Mas nem sempre foi assim.

 

“No começo, não tínhamos nada”, lembra a professora Sandra Alvarenga, criadora da novidade que mudou a rotina da escola. Preocupada porque os pequenos não se interessavam pela leitura, ela começou a pesquisar como era a vida de cada um. Descobriu que as famílias não tinham acesso à cultura.

 

“Aí surgiu a ideia de fazer a malinha”, conta. Dentro dela, livros e muitas surpresas. A mala ficava trancada e a criança sorteada para levar só podia abrir em casa. Uma semana depois, devolvia. Os sete dias eram dedicados a explorar o conteúdo com os familiares e se preparar para a tarefa final, na sala de aula.

 

A malinha foi um sucesso só e um belo dia chegou aos ouvidos do repórter Marcelo Abreu, que se empolgou em percorrer oitenta quilômetros até a pequena área rural para conferir a história. “Ali, naquele pedaço de mundo tão longe, uma revolução invadiu a vida dos moradores”, disse ele depois, na reportagem Uma mala, mil segredos, um sonho, que ganhou uma página inteira do jornal Correio Braziliense, em 2009.

 

 

Do chão de terra ao espaço multimídia

 

O jornalista convidou o leitor: “Entre. E prepare-se para uma emoção que só naquele lugar o visitante será capaz de sentir. Longe de tudo que lembre tecnologia e modernidade, a vida renasceu em livros, histórias, fantasia e magia. E tudo isso está dentro de uma mala toda enfeitada.”

 

A coordenadora do projeto Bibliotecas do Saber, Carmen Gramacho, quando abriu o jornal e se deparou com a reportagem, “entrou”. Ela se comoveu com a história e quis ajudar Sandra. Afinal, o projeto que comandava já havia ultrapassado a meta inicial de cinquenta bibliotecas. Por que não abrir mais uma naquele lugar tão carente de livros?

 

Logo nas primeiras conversas, soube que estava tudo por fazer. As crianças ouviam histórias na área externa de terra batida. “Precisaríamos construir e isso estava fora de cogitação”, lembra Carmen. “Mas, quando vimos o envolvimento e o empenho de todas as professoras, decidimos tomar para nós também o sonho delas.” Começou, ali, a luta por recursos para construir a nova sala.

 

Logo depois de assistir ao ouro de Mariana, na biblioteca, Carmen chorou ao relembrar a primeira visita ao centro de ensino. “Esse espaço era chão, não tinha nada. Mas essa tia, essa vovó veio aqui e ficou apaixonada. Fui convencer as pessoas a fazer a biblioteca. E agora, voltar e ver tudo isso é um prêmio muito grande.”

 

Entre os 24 projetos do centro de ensino, nove são destinados a incentivar o hábito da leitura, como o Baú Literário, Agora é Minha Vez, Ler é Viajar pelo Mundo, Leitura é Leitura. Outros seis projetos são práticas culturais inovadoras, como o Quartas do Cinema Negro, o Crítico de Cinema e o musical Arca de Noé. Mas como, se naquela área rural não existe cinema ou algo parecido?

 

A resposta também está na biblioteca, que se transformou em um espaço multimídia, onde professores e alunos interagem com a comunidade, fazem rodas de conversas, contam histórias, encenam peças e abrem telas para projetar filmes e mostrar as produções audiovisuais dos alunos na região.

 

O resultado é tão previsível e forte quanto o da mala mágica. “As mães contavam que, na noite que levava a mala mágica, a criança nem dormia”, lembra Sandra. “A mala voltava mais cheia pra escola. Os alunos colocavam brinquedos deles e até objetos de estimação, para compartilhar com as outras crianças.”

 

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