Biblioteca Ariano Suassuna (1)

Centro de Ensino Fundamental
CEF 113, Recanto das Emas

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Pedrinho perdeu o sono naquela noite. As palavras de Dona Benta o haviam impressionado profundamente. Na manhã seguinte Emília procurou-o e disse:

– Nós precisamos endireitar o mundo, Pedrinho.

– Nós quem, Emília?

– Nós, crianças; nós que temos imaginação. Dos “adultos” nada há a esperar

– Dobre a língua, hein? Quando falar em “adultos”, excetue vovó e Simão Bolívar.

 

(Histórias do Mundo para Crianças, de Monteiro Lobato)

 

 

Os criadores do futuro

 

“Vejo a leitura como um futuro. Esta é a palavra.” Assim a professora Patrícia Aparecida dos Santos Moreira resume o sentido do seu trabalho à frente da Biblioteca Ariano Suassuna, no Centro de Ensino Fundamental 113 do Recanto das Emas.

 

Sem perceber, ela revive o sonho que Monteiro Lobato confidenciou em carta a um amigo em 1926, quando disse que ainda ia acabar fazendo “livros onde as nossas crianças possam morar”.

 

Artistas e educadores como Patrícia usam sua criatividade para transformar as histórias numa casa do tamanho do mundo, onde todos convivem livremente com a imaginação e as descobertas. “O livro leva a criança para um mundo melhor, para o lado bom da vida”, justifica ela.

 

As encenações montadas em parceria com as crianças desde que a biblioteca foi inaugurada estreitam o contato com os alunos, aumentam o interesse pela leitura e fazem parte do projeto político pedagógico da escola.

 

“Queremos uma educação que abra oportunidades para as múltiplas formas de aprendizagem. Só assim poderemos construir os pilares de um outro mundo possível” explica a diretora Meire Núbia.

 

Com 1.400 alunos em três turnos, a escola trabalha intensamente para manter as crianças e os adolescentes fora do alcance dos males que colocam o Recanto das Emas entre as dez mais violentas regiões do Distrito Federal. A proposta é investir em ferramentas como o esporte e a leitura para estreitar os laços com os estudantes e afastá-los das ruas.

 

A diretora reconhece que o livro abre caminhos para as mudanças de comportamento e de visão de mundo. “Percebemos que os alunos que leem mais começam logo a mudar a postura, a ter outro comportamento na sala de aula. É nítido também o progresso, a forma como desenvolvem a fala e a escrita. Acostumados a recorrer aos livros, eles já pedem para aumentar o acervo e, nos intervalos das aulas, enchem a biblioteca.”

 

 

Mestres do encantamento

 

Na espaçosa e confortável sala inaugurada em agosto de 2013 pelo projeto Bibliotecas do Saber, diferentes iniciativas garantem momentos mágicos, como a encenação, com as crianças, da tradicional história de Catirina – a moça da roça que queria comer a língua do boi de estimação do patrão para satisfazer um desejo da gravidez e botou o marido, Francisco, na maior saia justa.

 

Tudo dentro do espírito inovador do escritor escolhido em votação para dar nome à biblioteca: Ariano Suassuna, mestre na arte do encantamento. No CEF 113, os projetos de leitura inspirados em obras de artistas que levam a pensar, como Suassuna, são integrados com os planos de trabalho dos professores de português.

 

E as crianças, claro, cobram novas atividades. Elas gostam do espaço, da troca de ideias e de conhecimento, das discussões sobre os livros que elas mesmas escolhem e alcançam com as próprias mãos. “Vejo que criaram um sentido de pertencimento, adquiriram amor aos livros. Se deixar, ficam o tempo todo”, diz Patrícia.

 

Bem cuidado, o espaço é mantido com a ajuda das quatro crianças do projeto Amigos da Biblioteca, eleitas a cada semestre. Animadas, as meninas Rayssa Christianne, Loyse Wiañe, Raquel Louise e Jane Emily Evelynn se orgulham da lista das tarefas para deixar tudo bem organizado.

 

Elas dão baixa nos livros devolvidos, controlam a entrada e confeccionam as carteirinhas, que custam R$ 2. O dinheiro vai para a compra de livros indicados pelos pequenos leitores. Atentas à limpeza, não deixam ninguém comer nada ali dentro. E ainda ajudam as crianças menores a guardar as mochilas.

 

“Quando se reconhecem como parceiros nas atividades, os alunos se sentem também donos, ganham responsabilidade, adquirem hábitos e aprendem a cuidar”, explica Patrícia. A diferença que a biblioteca faz na vida deles atinge também as famílias. “Os professores incentivam as crianças, que por sua vez incentivam os pais. É um efeito cascata.”

 

Mas importante mesmo, para Emily, é que “ficou melhor” na hora de fazer as provas. “A gente aprende como escrever e fica tendo mais resposta.” Colega de turma da menina, Artur diz que a vantagem dos livros é que “ajudam a gente a ficar mais esperto, mais inteligente”. “O livro é o que dá a nossa inteligência”, emenda Cauã.

 

Nas reuniões, os familiares concordam que frequentar a biblioteca tem transformado a vida das crianças. Tudo o que leem é aproveitado para introduzir práticas capazes de ajudar os pequenos a se preparar para os dias que virão. “Vejo como meu filho melhorou na concentração, na fala e aperfeiçoou a escrita”, conta a servidora pública Shirley Sousa Tezelli, mãe do aluno do quinto ano Davi Sousa.

 

“É gratificante, dentro de um processo de educação tão complexo e cada vez mais informatizado, num mundo tão digital, ver as crianças buscando mais livros e os pais também participando”, comemora a diretora Meire Núbia.

 

A biblioteca aumentou o interesse da comunidade. “Muitos vêm, fazem as suas carteirinhas, levam livros para casa.” Muitos pais começaram a doar livros. Os moradores já percebem a biblioteca como um lugar privilegiado e pedem que seja aberta para a comunidade à noite. “Mas faltam servidores para atender”, lamenta Meire Núbia.

 

E o que falta para melhorar? A resposta dos pequenos surpreende pela maturidade e revela como o foco na busca da autonomia abre horizontes para eles. Entre apelos como “permissão para levar os gibis para casa” e “desenhos animados”, as crianças pedem: mais livros de literatura brasileira, folclore, Segunda Guerra Mundial, desenhos animados, cordelE aumentar a biblioteca.

CEF 113, Recanto das Emas 113 Cj 08 01 - Recanto das Emas, Brasília - DF, 72605-130