Biblioteca Ariano Suassuna (2)

Centro de Ensino Fundamental 801
Recanto das Emas

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Nos palcos do firmamento

Jesus concebeu um plano

De montar um espetáculo

Para Deus Pai Soberano

E, ao lembrar de um dramaturgo,

Mandou buscar Ariano

 

(Trecho do cordel A chegada de Ariano Suassuna

no céu, de Klévisson Viana e Bule-Bule)

 

 

 

A força da cultura nordestina

 

“Sua arte nos fascina/Sua obra nos constrói/Ariano diz bem alto/Que a injustiça dói/Suassuna é aroeira/Ariano é a madeira/De lei que cupim não rói”, recita Carlos Soares da Silva, no cordel Ariano Suassuna, o mestre da cultura nordestina. Klévisson Viana e Bule-Bule fazem coro com Soares: “Em qualquer dia do ano/Eu digo: viva Ariano/Padroeiro da cultura!”

 

A força dessa cultura foi decisiva na consulta aos alunos do Centro de Ensino Fundamental 801, no Recanto das Emas, para definir o nome do espaço inaugurado em parceria com o projeto Bibliotecas do Saber. O resultado da votação foi o mesmo do CEF 113, na mesma região administrativa, onde 67,95% dos moradores que vieram de outros estados são nordestinos. A maioria das crianças cravou o nome de Ariano Suassuna.

 

A biblioteca abriu as portas pela primeira vez em 25 de março de 2014, para a alegria de crianças como Kayron Ramon da Silva Santos, de onze anos, um pequeno campeão de leitura que se orgulha de ser aluno destaque do CEF 801.

 

O menino que tem “como hobby” assistir toda semana ao programa Matemática Rio, “porque gosta de resolver problemas”, nasceu em Piripiri, uma pequena cidade do Piauí. Ele e os pais vieram tentar uma vida melhor na capital do país. Kayron já sabe muito bem o que isso significa. “Quero estudar medicina, conseguir um trabalho e depois fazer engenharia civil”, anuncia.

Se depender da determinação com que agarra as oportunidades que a biblioteca lhe oferece, ele vai ser tudo isso quando crescer. Com um exemplar de Dom Quixote para crianças, de Monteiro Lobato, nas mãos, ele comenta o livro com segurança e faz surpreendentes comparações com a realidade do Brasil.

 

Dom Quixote “tinha uma loucura boa”, diz Kayron, “uma loucura inocente, como assim… uma criança. Até uma certa idade, uns oito, nove anos, ela ainda não sabe distinguir o certo do errado. E aí, muitas vezes se imagina como aquilo que quer ser. A loucura boa levava Dom Quixote a bons lugares e a fazer justiça.”

 

Kayron garante que já sabe distinguir muito bem a diferença entre o certo e o errado. “E sei que tem as leis, como no livro. Apesar de que, nisso, o Brasil não vai muito bem…”, diz, devagar, medindo as palavras. E você acha que o Brasil tem jeito? “Acho”, responde, sem hesitar. “Quando a corrupção diminuir. Quando os brasileiros escolherem melhor os representantes.”

 

O vocabulário e o pensamento maduros para a idade refletem o hábito adotado pelo menino de ler diariamente na biblioteca e levar livros para casa. Kayron conta que também assiste aos noticiários – “até porque sou um cidadão brasileiro, tenho que acompanhar tudo”.

 

Leitura sem imposição

 

“Alunos como o Kayron são uma prova viva da importância da biblioteca”, diz o diretor Afonso Wescley Santos. “A nossa maior felicidade é identificar, dentro da escola, crianças que usam o espaço, leem sem imposição e acabam se destacando pela autonomia e as notas excelentes.”

 

A parceria dos professores com a biblioteca tem sido essencial nesse planejamento, diz o diretor, que resume o novo espaço em uma palavra: “preciosidade”. As crianças mudam os hábitos e adotam atitudes de compromisso e responsabilidade.

 

“Eles ficam atentos aos prazos de devolução dos livros, dão sugestões para a compra de novos títulos e se preocupam com a arrumação da sala. Fazem os trabalhos com tranquilidade aqui dentro, demonstram respeito”, explica Mariana de Jesus. Responsável pela biblioteca, a professora comemora a oportunidade de trabalhar num espaço adequado. “Sempre sonhei com essa possibilidade.”

 

Para incentivar os pais a ler com as crianças, a escola criou o projeto Sacolinha Literária. “É muito simples e barato, bastam uma sacola e um caderno grande, que circula por toda a turma”, mostra Mariana. Cada dia um aluno leva a sacola com o livro dentro, para ler com os pais. Depois, ele reconta a história no caderno, em forma de texto ou desenho, e devolve.

 

A Bienal do Livro de 2014, em Brasília, emocionou os professores. Cada escola pública recebeu uma verba do governo do DF para levar os alunos e adquirir novos títulos. A participação das crianças surpreendeu. “Elas chegaram lá animados, cheias de expectativa, mas já sabendo os livros que queriam comprar. Demonstraram conhecimento, trocaram ideias. Muitas levaram até uma listinha”, conta Afonso.

 

“Criou-se um preconceito de que nas cidades com população de menor poder aquisitivo os livros não atraem”, critica o diretor. Os alunos mostraram que não é assim. “Aproveitaram totalmente a Bienal, se interessaram por tudo, não queriam sair de lá. E depois passaram a perguntar quando seria a próxima.”

Recanto das Emas Q 801 AE - Recanto das Emas, Brasília - DF, 70297-400